Tempo de Leitura: 3 minutos
Na manhã de hoje, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, 02.abr.2025, a cidade de São Paulo dá um passo histórico: a inauguração do primeiro Centro Municipal para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), na América Latina — fruto da liderança de Silvia Grecco, mãe de autista e que nos últimos anos está à frente da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) de SP. O espaço leva o nome de Dra. Marina Magro Beringhs Martinez, procuradora do município por mais de duas décadas e mãe atípica, falecida em novembro do ano passado. A Centro TEA fica na Avenida Santos Dumont, nº 1.318, em Santana, zona norte da capital paulista.
Fruto de escuta ativa de Grecco com munícipes e embasado por estudos técnicos da SMPED, o Centro TEA nasce com o compromisso de promover inclusão, acolhimento e desenvolvimento de pessoas autistas com 6 anos ou mais — além de oferecer suporte direto aos seus familiares. “Um sonho realizado”, definiu Silvia Prin Grecco à reportagem da Revista Autismo quando visitei o local na semana passada, antes da inauguração.
Seis eixos de atuação
O trabalho será norteado por seis eixos principais: Cultura, Esporte, Trabalho e Empreendedorismo, Cursos de Formação, Bem-estar e Autonomia Social. Um sexto eixo, chamado Expansão dos Horizontes, oferecerá atividades externas que incentivem a interação com a comunidade, a descoberta de interesses e o desenvolvimento de novas habilidades.
O Centro contará com uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de diversas áreas: Psicologia, Assistência Social, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Nutrição, Educação Física, Psicopedagogia, Neurologia, Psiquiatria e Administração. A gestão será feita pela organização da sociedade civil Lar Mãe do Divino Amor (Lemda), vencedora do edital público.
Estrutura
A estrutura foi cuidadosamente pensada para atender a múltiplas necessidades: teatro com cabines de audiodescrição e camarins acessíveis, brinquedoteca, horta, jardim sensorial, playground, piscina aquecida, quadra coberta, biblioteca, refeitório, enfermaria, sala de TV, informática e muito mais. Há, inclusive, uma unidade habitacional equipada, voltada ao treino de habilidades de vida diária, como higiene pessoal, preparo de lanches e organização de objetos — com simulações práticas adaptadas a diferentes níveis de funcionalidade.
O atendimento poderá durar até 12 meses, com possibilidade de prorrogação por igual período. Cada pessoa poderá participar de até três atividades por dia, sendo acompanhada por um Plano Individual de Atendimento (PIA), construído desde a triagem e ajustado a cada trimestre. Após o encerramento do PIA, o Centro ainda manterá acompanhamento por mais seis meses.
Atividades e capacitações
Com capacidade mensal para mais de 300 sessões individuais e 1.430 atividades coletivas, o espaço oferecerá oficinas de música, dança, pintura, teatro e modalidades esportivas como natação, atletismo e futebol. Também haverá ações voltadas ao empreendedorismo e à capacitação para o mercado de trabalho.
Familiares poderão participar ativamente: o acompanhante principal terá direito a até três atividades por dia, enquanto o secundário poderá participar de uma. Já profissionais — especialmente servidores públicos — terão acesso a capacitações, seminários e aulas especializadas sobre autismo.
Como ser atendido pelo Centro TEA?
O agendamento da triagem será feito online — há orientações no site prefeitura.sp.gov.br/centrotea e a inscrição acontece em: teaconectado.com.br. Será necessário preencher dados pessoais, anexar laudo médico e comprovante de residência, além de escolher data e horário para comparecimento. A confirmação será enviada por WhatsApp, telefone ou e-mail em até sete dias úteis.
Mais do que um espaço físico, o Centro TEA carrega o legado afetivo e político de Marina Magro, mãe do Fernando, jovem autista, e defensora incansável de uma sociedade mais inclusiva. Marina acompanhou de perto o nascimento do projeto, que agora leva seu nome como reconhecimento à sua luta e dedicação. O projeto de lei para a nomeação foi encaminhado pelo prefeito Ricardo Nunes em dezembro de 2024, poucos dias após o falecimento dela.
O investimento total foi de R$119 milhões, sendo R$54,7 milhões destinados à obra, R$1,5 milhão ao projeto e R$63,2 milhões ao termo de colaboração com o Lemda.

Entrada do Centro TEA, na zona norte de SP.